A Moda Antes e Durante a Pandemia

Um breve histórico da moda antes, durante e pós pandemia.

 

A roupa, entre tantas funcionalidades, é também um instrumento de luta que retrata as transformações sociais ao longo do tempo, e a pandemia do novo corona vírus está construindo uma nova consciência coletiva de cuidados com a saúde e com a sustentabilidade fazendo com que os clientes sejam mais seletivos na hora da compra. A tendência é aumentar a demanda por marcas sustentáveis enquanto a compra de roupas tende a diminuir pois a prioridade dos clientes é por itens essenciais e de cuidados pessoais, embora ocorra um aumento na demanda por roupas confortáveis, fitness, produtos de beleza e maquiagem. 

A busca por roupas femininas mais confortáveis começa lá no século XX, logo após a Primeira Guerra Mundial, devido às novas funções assumidas pelas mulheres enquanto os homens estavam em guerra. Os estilistas famosos da época abandonaram os espartilhos apertados, as saias ultra volumosas e os tecidos pesados para dar espaço a uma moda mais moderna, mais solta e mais confortável. Foi nessa época que a calça feminina foi popularizada por Gabrielle Chanel. 

Coco Chanel/ Pinterest : Reprodução

As gerações pós Segunda Guerra Mundial, conhecidas como Baby Boomers e depois a geração X, foram marcadas por sede de mudanças e rompimentos de padrões sociais que desencadearam os movimentos contracultura e os movimentos hippies. A moda era usada como ferramenta de luta, expressão e liberdade. As saias longas foram trocadas por minissaias, as calças de alfaiatarias foram substituídas pelas famosas calças jeans e pela primeira vez a mulher usou um biquíni. 

UMA

Sueter Feminino UMA Tripoli Cinza Mescla

R$ 179,90

UMA

Calça Feminina Pantalona UMA Agnes Areia

R$ 299,90

Utilitarismo no pós guerra/ Pinterest : Reprodução

Somente na década de 60 que a pílula contraceptiva foi colocada à venda e desde então as mulheres começaram a conquistar um lugar de destaque e importância na sociedade, no trabalho e na composição financeira da vida familiar. Consequentemente o guarda-roupa dessa mulher precisou ser mais versátil e flexível para atender as diversas ocasiões familiares e sociais que ela frequentava. 

Foi também na década de 60 que surgiram os primeiros movimentos de cobrança às empresas por responsabilidades ambientais e sociais. Até então não se falava em sustentabilidade. Esses movimentos criaram uma consciência coletiva a respeito da ética empresarial e social devido ao crescimento econômico desarticulado com esses novos valores. 

A demanda por produtos e marcas mais sustentáveis forçou as empresas a se reposicionarem no mercado com práticas mais transparentes e colocou nas prateleiras e vitrines produtos com selos verdes nas diversas áreas. É importante citar que a indústria da moda é a segunda mais poluente ao meio ambiente e diversas vezes é apontada por utilizar mão de obra análogo ao de escravo.  

Liberdade e movimento jovem nos anos 60 / Pinterest : Reprodução

Outro importante momento na transformação da moda e do consumo de moda foi quando a internet foi popularizada e as lojas começaram a vender no universo online. Aqui já estamos nos anos 90. 

A internet possibilitou o acesso rápido aos conteúdos e tendências de moda e logo massificou a produção e a venda das roupas com essas tendências que acabavam de ser anunciadas nas principais passarelas do mundo. Entretanto, as vendas ainda eram finalizadas nas lojas físicas, com o acompanhamento de um vendedor e uma atmosfera criada para fornecer uma experiência única ao consumidor. 

IORANE

Vestido Tricot Gig Couture Classic Trança Azul Marinho

R$ 599,90

IORANE

Saia Feminina Iorane Curta Com Pregas Verde

R$ 49,90

Pinterest : Reprodução

Um fator importante para o mercado da moda é o processo de decisão de compra do cliente que está acostumado a tocar os tecidos, provar as roupas e projetar no espelho a imagem que ele quer de si, e todo esse processo é modificado na compra online pois a prova da roupa passa a ser a última etapa da venda.  

Essa insegurança da venda online de roupas está sendo superada devido a pandemia que estamos enfrentando e ao movimento Fique em Casa. 

O isolamento social forçou os lojistas e empresas a fecharem as portas e deu um empurrão nas práticas de home office. Dessa maneira, a casa deixou de ser apenas uma moradia para ser um local de amparo e proteção a todas as necessidades da vida moderna. O maior desafio está sendo adotar e manter uma disciplina conciliadora com a vida doméstica, pessoal e profissional no mesmo ambiente. 

Para continuar as atividades cotidianas como trabalhar, estudar e até mesmo manter relações sociais, as pessoas estão utilizando mais as plataformas digitais, e, portanto, a internet se posiciona como um grande canal de divulgação e venda de produtos e serviços. 

Para a indústria da moda esse é um momento de oportunidade para investir em uma forte transformação digital ao mesmo tempo que é um apelo para repensar toda a estrutura da cadeia de produção já que nesse período o lançamento de novas coleções não atende mais a nova demanda, pois, os consumidores estão procurando por roupas mais atemporais, práticas, fáceis de cuidar, tecnológicas e acima de tudo mais confortáveis. 

Moda confortável no cenário de hoje / Angelica Bucci : Instagram/ Reproduição

A mandatória agora é conforto e versatilidade. Desse modo as marcas estão lançando linhas de roupas homewear mais sofisticadas, porém mantendo o conforto e a multifuncionalidade.

Na corrida para se adaptar a esse momento mais “tech” e não perder a clientela, as lojas estão migrando para o universo online e reinventando a tradicional maneira de fazer negócio.

A. NIEMEYER

Calça Cintura Alta Longboard Marrom e Azul

R$ 359,90

A. NIEMEYER

Vestido Feminino longo A.Niemeyer Drop Cinza

R$ 499,90

Josefine H. : Instagram/ Reprodução

Até os desfiles e showrooms ganharam espaço nas plataformas virtuais. No entanto, o mercado ainda está sangrando e terá que ir mais fundo nessa transformação que está ocorrendo não só no universo tecnológico, como também nos valores sociais. 

A pandemia está construindo uma consciência coletiva de cuidados com a saúde e com a sustentabilidade fazendo com que os clientes sejam mais seletivos na hora da compra. Um estudo publicado pela consultoria BCG conta que a demanda por marcas sustentáveis irá aumentar enquanto a compra de roupas tende a diminuir pois com a economia em recessão a prioridade dos clientes é por itens essenciais e de cuidados pessoais, embora ocorra um aumento na demanda por roupas casuais, fitness, produtos de beleza e maquiagem. 

Concluindo, a roupa, entre tantas funcionalidades, é também um instrumento de luta que retrata as transformações sociais ao longo do tempo. E as empresas de moda terão que se reinventar para atender essa nova demanda, pós pandemia, que será mais consciente e mais exigente. 

Fontes:

vhttps://www.bcg.com/publications/2020/fashion-industry-reset-covid

https://br.fashionnetwork.com/news/Otb-lanca-showroom-virtual-e-experimental,1225999.html

https://br.fashionnetwork.com/galeries/photos/Dior-Cruise-2021,36555.html

https://www.dw.com/pt-br/1960-primeira-p%C3%ADlula-anticoncepcional-chega-ao-mercado/a-611248

 


 

louaneb

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